Sobre Sebastião Jorge

Advogado, Geógrafo, Jornalista e pós-graduado em Comunicação Social - USP, Professor e pesquisador do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Ensaios publicados nos livros “Imprensa brasileira: figuras que fizeram história” – Volume I e Volume II, respectivamente sobre os jornalistas João Francisco Lisboa e Amaral Raposo. Editora: Imprensa Oficial de São Paulo e Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador: Professor-Doutor José Marques de Melo. Os dois volumes fazem parte das comemorações dos 200 anos da imprensa no Brasil, comemorado em 2008.

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Sebastião Jorge

Há pessoas distantes, separadas pelo Oceano Atlântico, sem que tenhamos tido qualquer contato pessoal, aliás, eu o vi ligeiramente, e, no entanto, permanecem ligadas a nós. E isto através de um simples gesto de cavalheirismo, coisa rara, hoje. A gentileza é coisa do passado. Tais pessoas jamais serão esquecidas. Integram o nosso círculo de amizade e se tornam alvo do respeito e admiração. São especiais. Tudo sobre elas, como documentos, livros, fotos, cartas, ficam guardadas em gavetas especiais.

2014-09-08_14.13.42Em certos momentos sentimos necessidade de revê-las ou revisitá-las em imagens e palavras a procura de algo que satisfaça uma necessidade interior. Foi o que aconteceu ao recordar o francês Monsieur Maurice Druon (1918-2009), um grande escritor e historiador, que deixou obras grandiosas como “O menino do dedo verde” e os “Reis malditos”, este transformado em filme ao cinema e tevê, com sucesso mundial. Ele tem sangue maranhense.

É trineto de Odorico Mendes (1799-1864) e, aqui, esteve por duas vezes, a última em 1999, a convite do Estado e instituições literárias, para receber homenagens em nome do trisavô, que completava bicentenário de nascimento. Uma festa que entrou à história cultural de São Luís.

Como estudioso dos jornais maranhenses dispunha de material e projeto de publicar um livro sobre Odorico Mendes, “Pai do humanismo brasileiro”, explorando o seu trabalho como jornalista, em São Luís, Rio e São Paulo, além de tratar de sua vida permeada de angústias por problemas financeiros. Nenhum historiador tratou do assunto.

Assim foi feito sob o patrocínio da Ufma, pela sua gráfica (Edufma), através do Departamento de Comunicação Social, no qual ministrei aulas durante 30 anos. Por coincidência o curso completava o mesmo tempo de atividade. O colegiado do DCS interessou-se pela publicação e saiu o livro – “Política movida a paixão / O jornalismo polêmico de Odorico Mendes” (2 edições), 2000. Juntaram-se o útil ao agradável. Ex-aluno aluno da Aliança Francesa, cujo diretor, na época, o professor Guillerm Beugeon encarregou-se de mandar o livro ao Monsieur Maurice Druon. Comovido dirigiu-se a mim, agradecendo a iniciativa, o que simboliza o refrão, que santo de casa não faz milagre na sua terra (Tradução do idioma francês, pelo professor e poliglota Simão Cirineu Ramos):

“Senhor Professor Sebastião Jorge.

“Mesmo tendo pouco conhecimento da Língua Portuguesa, muito me emocionou a pesquisa que você realizou sobre o jornalismo polêmico do meu ancestral Odorico Mendes. Sabia que na sua juventude ele desempenhou um papel importante na criação da imprensa brasileira e que ele se dividia entre a poesia e o jornalismo político. Era um homem apaixonado, patriótico e justo. Sua obra revela muito bem o que ele era.

Com muita erudição e talento você analisou as ideias e as lutas que ele travou. É um momento da história brasileira que você fez renascer em volta deste ancestral sobre o qual estou aprendendo muitas coisas graças a você. Seria preciso lhe dizer do meu elo com o Maranhão, onde recebi por duas vezes um acolhimento inesquecível?

Eu estou infinitamente sensibilizado, em particular, no final desta obra (“Política movida a paixão / O jornalismo Polêmico de Odorico Mendes”), que retrata algumas das qualidades deste antepassado, as quais foram transmitidas a respeito do meu longínquo descendente. Polêmico também me considero cada vez que as circunstâncias políticas me exigiam na França.

Comecei minha vida literária com a poesia. Dela me afastei, mas, de vez em quando faço uso da mesma, como aconteceu quando escrevi “Saudação a São Luís”, que você me honrou ao reproduzi-la no seu livro.

Senhor professor, receba os meus mais sinceros agradecimentos”.

Paris, 19 de julho de 2001

Maurice Druon     

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