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Luís Carlos Nunes Freire

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Foto de OSVALDO DA COSTA NUNES FREIRE NETO

Cresci assistindo pessoas perdendo uma perna, um braço, um membro qualquer do corpo, e ficava por isso, pois a ciência, ainda incipiente, não havia evoluído ao ponto em que se encontra hoje, construindo próteses, substituindo membros perdidos.

Campões olímpicos, só por amostragem, após perderem suas pernas, através da prótese tornam-se campeões olímpicos de canoagem e de atletismo.

E hoje eu me questiono: - Qual a prótese que conseguirá substituir a falta de um filho?

Uns dizem - a fé. Outros dizem - fé e trabalho.

E alguns, mais filosóficos, afirmam: - as pessoas que amamos não morrem, apenas partem primeiro do que a gente.

Tudo isso é bonito, poético e animador.

Mas, creio, hoje, que nada disso adianta se, com coragem, não tivermos a força de Deus para, sem medo, enfrentarmos essa batalha com a DOR.

À propósito, viajando no tempo, lembro-me que, ainda adolescente e curioso, bisbilhotando um dos livros da estante de casa, impressionado pelo nome do autor – Anatole France – comecei a lê-lo.

Frases altamente filosóficas e muitas delas inatingíveis pela minha inocente intimidade com os livros desfilavam em frente aos meus olhos e faziam-me embriagar pela beleza que continham.

De repente, deparei-me com uma que até hoje guardo na memória do coração que se encaixa como uma luva a tudo que estou vivenciando.

Diz ela: “- Acho que o homem só é dono do tempo - que é a própria vida - quando o divide em horas, minutos, segundos, parcelas proporcionais à brevidade da existência humana!”

E fiquei, a partir daí e com a dor de hoje, a sentir que a vida não nos oferece tudo que pedimos inconsideravelmente  pelas nossas doidas esperanças, pelos nossos desejos egoísticos e sem propósito.

E é por isso que, lembrando-me de Cora Carolina, em seu poema “Não sei”, deixo que meu coração inunde-se dessa beleza poética, pois tenho certeza que Osvaldo foi tudo que Carolina enalteceu.

Disse ela em seu primeiro terceto:

“Não importa quantos anos eu viva: quarenta, cinqüenta, cem anos.

O importante é que os anos que eu vivi,

eu possa ter conseguido atingir o coração dos outros.”

Osvaldo conseguiu atungir o coração dos outros.

(Osvaldo da Costa Nunes Freire Neto, nascido em 27/08/1982, falecido em 06/04/2016. Missa de 7o dia celebrada na Igreja de Santo Antônio, na Praça Antônio Lobo, São Luís - MA)

 

 

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