Sobre Daniel Blume P. de Almeida

Captura de tela de 2017 06 19 13 13 35DANIEL BLUME Pereira de Almeida (OAB/MA 6072), formado em Direito pela UFMA e especialista em Processo e Direito Eleitoral pela Cândido Mendes, é advogado militante, Procurador do Estado do Maranhão, membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB Nacional e da Academia Ludovicense de Letras. É autor dos livros Natureza Jurídica das Decisões dos Tribunais de Contas (2003) e Inicial (2009).

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Começo de noite. Chovia muito. A caminho de uma reunião. Estava devagar, já com medo dos malditos buracos, especialmente porque a água acumulada na pista prejudica a visibilidade.

No percurso, uma grande poça atravessou o meu caminho – ou eu o dela. Parei completamente o carro: acúmulo de água é sinal de crateras escondidas. Pensei que poderia passar lenta e seguramente. Engano e surpresa. Caí numa tremenda vala, certamente a maior de todas à minha volta. E o carro parou imediatamente com o fundo no chão. Tentei andar para frente, para trás e nada. Desisti de tentar e desci do carro.

A rua era escura e erma. Olhei pro lado e avistei um vulto. Fiquei inicialmente com receio (a crescente violência nos amedronta), mas logo identifiquei ser um taxista que chegava para me ajudar. Rapidamente ele conseguiu mais três solícitos ajudantes. Nem sei de onde surgiram. Pareciam anjos de Deus. Fiquei mais tranqüilo.

Admirei o que vi, sentindo-me pequeno. O solícito taxista, de sapatos e calça, entrou no lamaçal em que estava meu carro e passou a enfiar suas mãos na lama para verificar a profundidade do buraco. Não se preocupava com sua higiene, com seu trabalho, nem com a forte chuva que nos ensopava, somente em me tirar daquela situação. Cavou, ajeitou pedras e tábuas em baixo dos pneus e providenciou um macaco. Disse que eu fosse para dentro do carro. Depois de algumas tentativas, empurrões e terra preta voando pra todos os lados, saímos da vala – juntos e sozinhos. Ela ficou (talvez esteja ainda maior), mas nós fomos embora. Eu, rumo à minha reunião; ele, a caminho de sua vida.

Há controvérsias, nem sei de quem é a culpa específica. De todos nós, provavelmente. Só sei que São Luís está refém de buracos, muitos deles abomináveis: crateras que comprometem transportes coletivos, automóveis, trânsito, bem assim a segurança de pedestres e de motoristas.

A chuva intensa que cai lava a vista e complica o problema. É ora de debatê-lo e solvê-lo definitivamente. Sem paliativos: operação tapa-buracos.

É fato. Não se pode guiar sem desviar dos buracos existentes, mesmo nas principais avenidas da cidade. Já nas vias menores, eles são a regra, não a exceção: onde não há buracos, vê-se uma nesga de um saudoso asfalto.

E por falar em saudade, em asfalto, vejo que ele nunca foi o que deveria sempre ter sido. É frágil, fino e inconsistente, diferente do necessário concreto asfáltico. Tal material reflete a atitude dos nossos bastonários ao longo do tempo. É preciso força, robustez e consistência. É preciso substituir o asfalto de nossa cidade paulatinamente, a começar pelas principais avenidas. É preciso projeto e ação.

Sei que buraco nas ruas não é o nosso principal problema, mas deve ser debatido, pois compõe um conjunto de crateras administrativas que nos açambarcam. Pior são os buracos da segurança pública e da saúde, que exigem ao menos um re-capeamento imediato. Urgência.

A população está farta de conviver com buracos. Experiência própria: fui assaltado a mão armada por vários bandidos dentro da academia em que me exercito e depois tive meu carro tragado por um buraco desconhecido próximo de onde moro. Basta. Temo a próxima surpresa. Que Deus nos proteja.

Quando o já cansado taxista, que comandou o meu resgate em meio à grossa chuva e a buracos, conseguiu finalmente retirar o meu carro da cratera inundada, olhei em seus olhos enlameados e disse que nem saberia como agradecer tamanha solidariedade. Ele prontamente respondeu: “ajude o seu próximo”... E partiu, sem dizer sequer o seu nome ou perguntar o meu. Suor, chuva e lágrima misturavam-se em meu rosto.

Aqui, apenas lhe agradeço, desejando que sua frase badale nas consciências dos responsáveis pelos buracos que nos consomem.

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