Sobre Carlos Nina

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A liberdade da manifestação artística é assegurada constitucionalmente. Contudo, há uma espécie de ignorância ou descaso quanto ao fato de que a liberdade de cada um tem limites, uma linha divisória. Tênue, mas definida por normas de convívio social. Éticas, morais, legais e constitucionais.
O que se tem presenciado, porém, é o desvio crescente no uso dessa liberdade, abuso no seu exercício, a exemplo do que ocorre em canais abertos de televisão, onde a atividade criminosa é relativizada, romantizada, senão mesmo justificada, como se fosse realidade. Na verdade, as histórias retratadas não representam o universo cotidiano, onde a experiência de milhões de brasileiros é completamente diferente. Crimes e criminosos existem. Mas não têm o glamour que novelas e séries mostram, seduzindo incautos e agravando a crise moral em que a sociedade já está mergulhada.
Reduzir o cotidiano à bandidagem é ignorar ou esconder a experiência de milhões de brasileiros, estes sim verdadeiros heróis, personagens vivas de histórias pessoais dignificantes, de luta, de honestidade, de coragem, determinação e superação. São eles a maioria silenciosa da população que, apesar de todas as dificuldades e limitações, das violações a seus direitos, da omissão irresponsável e criminosa e dos abusos e extorsões do poder estatal, federal, estadual e municipal, conseguem sobreviver e transmitir para seus filhos valores pautados na honestidade, na decência, na moralidade e na ética.
São eles que convivem com a violência urbana, física e, agora, moral, assediados pela corrupção endêmica que dominou o Poder Público, que invade suas casas e evidencia sua impotência, sem tornar impossível, porém, a revolta para a qual a Declaração Internacional dos Direitos Humanos já havia alertado.
Vejam-se os recentes casos das manifestações artísticas assim denominadas o passeio de um homem nu, em área pública, sendo tocado por crianças, e a exibição de outro, igualmente despido, portando uma escultura de símbolo da Igreja Católica cobrindo seu órgão sexual, lixando a imagem religiosa simulando prazer sexual.
Mesmo sem entrar na discussão conceitual do que vem a ser arte e admitindo que aquelas excentricidades sejam expressões artísticas, não há como descaracterizar o tipo penal de que estão revestidas, salvo de revogando as normas penais vigentes que preveem e penalizam aquelas condutas.
É oportuno recomendar aos apreciadores desse tipo de arte que se deleitem com as obras literalmente produzidas pelos moradores de rua nas praças da cidade, a exemplo da Praça João Lisboa, em São Luís, onde os artistas, temerosos da intolerância policial com essa estética, esgueiram-se atrás das escadarias onde deixam suas esculturas e abraçam postes para jorrar líquidos quentes coloridos, impregnando o ambiente com odores de fazer inveja aos perfumistas franceses.
No caso dessa praça a municipalidade também usou de sua liberdade artística e ali mantém seu padrão estético e seu conceito artístico preservando um vaso sanitário ao lado da porta de uma de suas secretarias. Emblemático, é o símbolo do que melhor sabe fazer o Poder Público.
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