Sobre Carlos Nina

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Querida amiga, há um ano não tenho notícias tuas. Por isso foi com alegria que recebi uma ligação de Sebastião, que me informou das homenagens que te serão prestadas e disponibilizou-me espaço para a elas associar-me.

   Não estarei presente, por razões que tu conheces, mas não poderia deixar de enviar-te minha mensagem, pela amizade, pela saudade, pela falta que fazes, bem como por atenção a Sebastião.

    Estou, por hábito, sempre começando ou recomeçando alguma coisa. Em 2012 pretendo voltar ao magistério e, quem sabe, promover algum seminário, se houver interesse dos alunos. Tu farás falta, pois foi contigo que conseguimos realizar bons debates quando coordenei no Jornal Pequeno a página que chamamos de JP Cidadania.

    Também me lembro da Sacada Cultural, que fizemos juntos com Cunha Santos Filho. Mas a Sacada foi apenas mais uma etapa na trajetória que começaste com a Página da Criança, embrião que se desenvolveria e te levaria ao Guesa, que produziste com qualidade e continuidade ímpares na história da imprensa e da cultura do Maranhão.

    Tua última mensagem, com a foto de teu neto, no primeiro semestre de 2010, ainda está na minha caixa de mensagem. Simboliza teu sucesso num dos maiores desafios do homem, que é a construção e a preservação da família.

    Tua força no seio de tua família é tão forte que senti tua presença na voz de Sebastião, quando me disse, com incontido orgulho, que havia assumido uma função no Jornal, atendendo a teu apelo.

    Isso me leva a Steve Jobs, não porque ele tenha dito, em 2005, em discurso na Universidade Stanford, que “a morte é um destino que todos vamos enfrentar. Ninguém nunca escapou dela.” Nessa oportunidade Jobs falou da doença que o levaria a óbito, em 2011. Mas porque Jobs, consciente do iminente cumprimento de sua sentença, sem reclamar da vida que findava ou da morte que se aproximava, afirmou que quando as pessoas estão diante da morte fica mais fácil tomar grandes decisões.

    Não me lembro de um só dia em que te tenha visto triste. Algumas vezes preocupada. Mas sempre, sempre com um sorriso, muitas vezes com gargalhadas, estampando sempre a alegria da vida, o prazer de viver e de conviver.

    Como devem ter sido difíceis os dias que antecederam tua partida!

    A dor e o sofrimento dos que te amam a atormentar-te pela angústia de quem precisa ser mais forte do que os que têm saúde, para os tranqüilizar. E para tomar decisões difíceis. Fazer as recomendações próprias de uma filha amiga, para sua mãe; de uma esposa confiante no marido, manifestando as preocupações de uma mãe com o futuro de seus filhos e neto, e atribuindo-lhe encargos profissionais que dessem continuidade ao trabalho que tu desenvolvias no Jornal.

    Essas circunstâncias me levam de volta a Steve Jobs porque ele, que fez criações fantásticas, que revolucionou a tecnologia, que mudou hábitos no mundo inteiro, que produziu uma verdadeira revolução cultural, disse que “a morte é a melhor invenção da vida”. Talvez o escorpião, personagem da travessia do lago nas costas do sapo, saiba disso, porque, sabendo que na carona do sapo, ao matá-lo, por ser de sua natureza, também morrerá, não deixa de dar a ferroada fatal.

     O diferencial está no viver e no morrer de cada um.

     Para Charles Chaplin, outro gênio da criação, que deixou congeladas para a eternidade imagens de sua época, que retratam o cotidiano de todos os tempos, “a coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso”.  Parece contradizer a conclusão de Jobs sobre ser a morte a melhor criação da vida. Mas Chaplin também teria dito que “A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.” E que “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”

     Tu encheste o mundo de alegria, cativaste amigos. Por isso tua ausência faz falta. Por isso dá saudade. Mas não deve dar tristeza, porque não te faria justiça. Além disso, não temos, os que alegraste com tua presença, o direito de pretender tua companhia, senão na lembrança do teu sorriso e da tua alegria, pois, como diz a Bíblia, em Eclesiastes, 12:7, como pó, voltaste à terra, mas teu espírito voltou a Deus, que o deu a ti.

Um abraço de saudade,

São Luís, 7 de janeiro de 2011

Carlos Nina

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